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Civilização Helenística

Alguns nomes usados no estudo da História são criados para simplificar, mas podem confundir. Este é o caso do "helenismo". Os gregos chamam-se de "helenos", e os estudiosos modernos utilizam o termo "helenístico" para referirem-se à civilização que se utilizava do grego como língua oficial, a partir das conquistas de Alexandre, o Grande (336 a.C.), até o domínio romano da Grécia, em 146 a.C. Ou seja, é um termo que não se confunde com "helênico", que é o mesmo que "grego". Embora seja aplicado a um período de tempo relativamente curto, esse foi marcado por grandes interações culturais. Alexandre conquistou um imenso território: as cidades gregas todas, mas também o Egito, a Palestina, a Mesopotâmia, a Pérsia (Irã), chegando à Índia. Depois de sua morte prematura, o Império dividiu-se em três reinos, centrados na Macedônia, no Egito e na Mesopotâmia.

A principal característica desse mundo helenístico era a convivência de inúmeros povos, com dezenas de línguas, governados por uma elite de origem macedônica e que tinha na língua grega um elemento de comunicação oficial e universal. Foram fundadas diversas cidades, como Alexandria, no Egito, que viria a se destacar por uma vida intelectual intensa. A civilização helenística baseava-se na convivência de muitos povos e as trocas culturais entre os diferentes grupos intensificaram-se de forma extraordinária. Talvez o exemplo mais conhecido e mais relevante para a história posterior do Ocidente seja a cultura judaica helenística. Em Alexandria, uma importante comunidade judaica foi estabelecida e esses judeus não apenas adotaram a língua grega, como passaram a interpretar a sua tradição religiosa à luz da Filosofia grega, antecipando o próprio cristianismo, que também faria interagir as tradições grega e judaica. Embora houvesse conflitos entre os diversos povos, sua convivência gerou trocas culturais que viriam a gerar influências duradouras.

Um exemplo disso é o desenvolvimento da Filosofia estoica, fundada por um pensador de origem fenícia, Zenão de Cítion. Segundo o estoicismo, Deus é o logos, ou razão, e o homem deve viver de acordo com o logos, que se identifica com a natureza. Essa mescla de Oriente e Ocidente leva a uma visão que separa bem e mal e que propõe a moderação e o distanciamento do mundo. O estoicismo terá grande difusão no mundo romano, com Sêneca e Marco Aurélio, e estará muito próximo do cristianismo. Para S. João, em seu Evangelho, "No princípio era o logos, e Deus era o logos". O estoicismo, de múltipla origem, grega e oriental, converteu-se em um dos grandes fundamentos da tradição ocidental. Milhares de anos depois, vivemos um mundo em cujo início está a civilização helenística, com sua grande variedade cultural.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2007. p. 75-76. (Repensando a História).

QUESTÔES SOBRE O TEXTO

1. O que significa o termo "helenístico"? E o termo "helênico"?

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Resposta: Ler o texto.

 

2. Com base no texto e nas informações desta unidade, explique as principais características da civilização helenística.

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Resposta: Ler o texto.

 

3. De que modo o estoicismo se converteu em um dos grandes fundamentos da tradição ocidental?

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Resposta: Ler o texto.
Tancredo Professor . 2017
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