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Enem. De olho na universidade

1. (ENEM 2014)A transferência da corte trouxe para a América portuguesa a família real e o governo da Metrópole. Trouxe também, e sobretudo, boa parte do aparato administrativo português. Personalidades diversas e funcionários régios continuaram embarcando para o Brasil atrás da corte, dos seus empregos e dos seus parentes após o ano de 1808:

Novais, F. A; LENCASTRO,L.F.(org.) História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1997.

Os fatos apresentados se relacionam ao processo de independência da América portuguesa por terem:

a. Incentivado o clamor popular por liberdade.

b. Enfraquecido o pacto de dominação metropolitana.

c. Motivado as revoltas escravas contra a elite colonial.

d. Obtido apoio do grupo constitucionalista português.

e. Provocado os movimentos separatistas das províncias.

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Resposta: Resposta B. As medidas tomadas pelo regente dom João VI encaminharam o Brasil no sentido da libertação em relação à Coroa. A mais significativa foi a decretação da Abertura dos Portos às Nações Amigas, que, na prática, colocou fim ao pacto colonial ao permitir o comércio do Brasil com outros países, rompendo o exclusivismo metropolitano. A partir daí, a elite econômica brasileira percebeu que a independência poderia ampliar ainda mais seus lucros.

 

2. (ENEM 2014)O problema central a ser resolvido pelo Novo Regime era a organização de outro pacto de poder que pudesse substituir o arranjo imperial com grau suficiente de estabilidade. O próprio presidente Campos Sales resumiu claramente seu objetivo: "É de lá, dos estados, que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam agitadas nas ruas da capital da União. A política dos estados é a política nacional".

CARVALHO, J. M. Os bestializados. O Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987 (adaptado).

Nessa citação, o presidente do Brasil no período expressa uma estratégia política no sentido de:

a. Governar com a adesão popular.

b. Atrair o apoio das oligarquias regionais.

c. Conferir maior autonomia às prefeituras.

d. Democratizar o poder do governo central.

e. Ampliar a influência da capital no cenário nacional.

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Resposta: Resposta B. Durante a Primeira República, consolidou-se o poder e o controle político das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Porém, para garantir esse poder, era necessário o apoio de outras oligarquias importantes do país. A "Política dos Governadores" ou "Política dos Estados", tinha a função de, por meio de troca de favores entre o governo federal e as elites estaduais, garantir o domínio dos paulistas e mineiros.

 

3. (ENEM 2012)Se a mania de fechar, verdadeiro habitus da mentalidade medieval nascido talvez de um profundo sentimento de insegurança, estava difundida no mundo rural, estava do mesmo modo no meio urbano, pois que uma das características da cidade era de ser limitada por portas e por uma muralha.

DUBY, G. et al. "Séculos XIV-XV". In: ARIÈS, P.; DUBY, G. História da vida privada da Europa Feudal à Renascença. São Paulo: Cia das Letras, 1990.

As práticas e os usos das muralhas sofreram importantes mudanças no final da Idade Média, quando elas assumiram a função de pontos de passagem ou pórticos. Este processo está diretamente relacionado com:

a. O crescimento das atividades comerciais e urbanas.

b. A migração de camponeses e artesãos.

c. A expansão dos parques industriais e fabris.

d. O aumento do número de castelos e feudos.

e. A contenção das epidemias e doenças.

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Resposta: Resposta A

 

4. (ENEM 2012)No tempo da independência do Brasil, circulavam nas classes populares do Recife trovas que faziam alusão à revolta escrava do Haiti:
     Marinheiros e caiados
     Todos devem se acabar,
     Porque só pardos e pretos
     O país hão de habitar.

AMARAL, F. P. do. Apud CARVALHO, A. Estudos pernambucanos. Recife: Cultura Acadêmica, 1907.

O período da independência do Brasil registra conflitos raciais, como se depreende

a. Dos rumores acerca da revolta escrava do Haiti, que circulavam entre a população escrava e entre os mestiços pobres, alimentando seu desejo por mudanças.

b. Da rejeição aos portugueses, brancos, que significava a rejeição à opressão da Metrópole, como ocorreu na Noite das Garrafadas.

c. Do apoio que escravos e negros forros deram à monarquia, com a perspectiva de receber sua proteção contra as injustiças do sistema escravista.

d. Do repúdio que os escravos trabalhadores dos portos demonstravam contra os marinheiros, porque estes representavam a elite branca opressora.

e. da expulsão de vários líderes negros independentistas, que defendiam a implantação de uma república negra, a exemplo do Haiti..

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Resposta: Resposta A

 

5. (ENEM 2012)Emboaba: nome indígena que significa "o estrangeiro", atribuído aos forasteiros pelos paulistas, primeiros povoadores da região das minas. Com a descoberta do ouro em fins do século XVII, milhares de pessoas da colônia e da metrópole vieram para as minas, causando grandes tumultos. Formaram-se duas facções, paulistas e emboabas, que disputavam o governo do território, tentando impor suas próprias leis.

Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.), Dicionário da História da Colonização Portuguesa no Brasil. Lisboa: Verbo, 1994, p.285.

Sobre o período em questão é correto afirmar que:

a. As disputas pelo território emboaba colocaram em confronto paulistas e mineiros, que lutaram pela posse e exploração das minas.

b. A região das minas foi politicamente convulsionada desde sua formação, em fins do século XVII, o que explica a resistência local aos inconfidentes mineiros.

c. A luta dos emboabas ilustra o processo de conquista de fronteiras do império português nas Américas, enquanto na África os portugueses se retiravam definitivamente no século XVIII.

d. A monarquia portuguesa administrava territórios distintos e vários sujeitos sociais, muitos deles em disputa entre si, como paulistas e emboabas, ambos súditos da Coroa.

e. As disputas pelo território emboaba colocaram em confronto cariocas e nordestinos, que lutaram pela posse e exploração das minas .

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Resposta: Resposta D

 

6. (ENEM 2012)A política do Império do Brasil em relação ao Paraguai buscou alcançar três objetivos. O primeiro deles foi o de obter a livre navegação do rio Paraguai, de modo a garantir a comunicação marítimo-fluvial da província de Mato Grosso com o restante do Brasil. O segundo objetivo foi o de buscar estabelecer um tratado delimitando as fronteiras com o país guarani. Por último, um objetivo permanente do Império, até o seu fim em 1889, foi o de procurar conter a influência argentina sobre o Paraguai, convecido de que Buenos Aires ambicionava ser o centro de um Estado que abrangesse o antigo vice-reino do Rio da Prata, incorporando o Paraguai.

Adaptado de Francisco Doratioto, Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 471.

Sobre o contexto histórico a que o texto se refere é correto afirmar que:

a. A Guerra do Paraguai foi um instrumento de consolidação de fronteiras e uma demonstração da política externa do Império em relação aos vizinhos, embora tenha gerado desgastes para Pedro II.

b. As motivações econômicas eram suficientes para empreender a guerra contra o Paraguai, que pretentia anexar territórios do Brasil, da Bolívia e do Chile, em busca de uma saída para o mar.

c. A Argentina pretendia anexar o Paraguai e o Uruguai, mas foi contida pela interferência do Brasil e pela pressão dos EUA, parceiros estratégicos que se opunham à recriação do vice-reino do Rio da Prata.

d. O mais longo conflito bélico da América do Sul matou milhares de paraguaios e produziu uma aliança entre indígenas e negros que atuavam contra os brancos descendentes de espanhóis e portugueses.

e. O mais longo conflito bélico da América do Norte matou milhares de paraguaios e produziu uma aliança entre indígenas e negros que atuavam contra os brancos descendentes de espanhóis e portugueses.

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Resposta: Resposta A

 

7. (ENEM)O fenômeno da escravidão, ou seja, da imposição do trabalho compulsório a um indivíduo ou a uma coletividade, por parte de outro indíviduo ou coletividade, é algo muito antigo e, nesses termos, acompanhou a história da Antiguidade até o século XIX. Todavia, percebe-se que tanto o status quanto o tratamento dos escravos variavam muito da Antiguidade greco-romana até o século XIX em questões ligadas à divisão do trabalho.

As variações mencionadas dizem respeito

a. Ao caráter étnico da escravidão antiga, pois certas etnias eram escravizadas em virtude de preconceitos sociais.

b. À especialização do trabalho escravo na Antiguidade, pois certos ofícios de prestígio eram frequentemente realizados por escravos.

c. Ao uso dos escravos para a atividade agroexportadora, tanto na Antiguidade quanto no mundo moderno, pois o caráter étnico determinou a diversidade de tratamento.

d. À absoluta desqualificação dos escravos para trabalhos mais sofisticados e à violência em seu tratamento, independentemente das questões étnicas.

e. Ao aspecto étnico presente em todas as formas de escravidão, pois o escravo era, na Antiguidade greco-romana, como no mundo moderno, considerado uma raça inferior.

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Resposta: Resposta B. A escravidão na Antiguidade Clássica não estava vinculada a questões de ordem étnica e, não raramente, os escravos exerciam funções altamente qualificadas, tais como a de preceptores, hábeis artesãos, músicos, artistas e até a de funcionários do Estado.

 

8. (ENEM)
      Somos servos da lei para podermos ser livres (Cícero)


      O que apraz ao príncipe tem força de lei (Ulpiano)


As frases acima são de dois cidadãos da Roma Clássica que viveram praticamente no mesmo século, quando ocorreu a transição da República (Cícero) para o Império (Ulpiano).
Tendo como base as sentenças acima, considere as afirmações:

   I. A diferença nos significados da lei é apenas aparente, uma vez que os romanos não levavam em consideração as normas jurídicas.

 II. Tanto na República como no Império, a lei era o resultado de discussões entre os representantes escolhidos pelo povo romano.

III. A lei republicana definia que os direitos de um cidadão acabavam quando começavam os direitos de outro cidadão.

IV. Existia, na época imperial, um poder acima da legislação romana.

Estão corretas, apenas:

a. I e II.

b. I e III.

c. II e III.

d. II e IV.

e. III e IV.

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Resposta: Resposta E. A afirmativa III pode ser confirmada ao se considerar as palavras de Cícero, segundo o qual todos os romanos eram "servos da lei" e, portanto, esta se aplicava ao conjunto dos cidadãos. Assim, é aceitável o princípio de que "os direitos de um cidadão acabavam quando começavam os direitos de outro cidadão". a afirmativa IV pode ser confirmada por meio da leitura do pequeno texto de Ulpiano, uma vez que, para ele, no contexto do Império, a palavra do Imperador se sobrepunha à tradicional legislação romana, o que é indicativo de que nesse período da história romana havia uma concentração de poderes.

 

9. (ENEM)Para uns, a Idade Média foi uma época de trevas, pestes, fome, guerras sanguinárias, supertições, crueldade. Para outros, uma época de bons cavaleiros, damas corteses, fadas, guerras honradas, torneios e grandes ideais, ou seja, uma Idade Média "má" e uma Idade Média "boa".
Tal disparidade de apreciações com relação a esse período da História se deve

a. Ao Renascimento, que começou a valorizar a comprovação documental do passado, formando acervos documentais que mostram tanto a realidade "boa" quanto a "má".

b. À tradição iluminista, que usou a Idade Média como contraponto a seus valores racionalistas, e ao Romantismo, que pretendia ressaltar as "boas" origens das nações.

c. À indústria de videojogos e cinema, que encontrou uma fonte de inspiração nessa mistura de fantasia e realidade, construindo uma visão falseada do real.

d. Ao positivismo, que realçou os aspectos positivos da Idade Média, e ao marxismo, que denunciou o lado negativo do modo de produção feudal.

e. À religião, que, com sua visão dualista e maniqueísta do mundo, alimentou tais interpretações sobra a Idade Média.

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Resposta: Resposta B. A questão explora os conceitos relativos às diferentes concepções de Idade Média. Ao preconceito de origem renascentista e que se fortaleceu com a tradição iluminista do século XVIII, contrapôs-se uma "boa Idade Média", que foi construída pelos românticos no século XIX. Ambas as imagens são marcadas por estereótipos e clichês, característicos de uma ou outra concepção.

 

10. (ENEM)No início do século XIX, o naturalista alemão Carl Von Martius esteve no Brasil em missão científica para fazer observações sobre a flora e a fauna nativas e sobre a sociedade indígena. Referindo-se ao indígena, ele afirmou:

   Permanecendo em grau inferior da humanidade, moralmente, ainda na infãncia, a civilização não o altera, nenhum exemplo o excita e    nada o impulsiona para um nobre desenvolvimento progressivo [...]. Esse estranho e inexplicável estado do indígena americano, até o    presente, tem feito fracassarem todas as tentativas para conciliá-lo inteiramente com a Europa vencedora e torná-lo um cidadão    satisfeito e feliz.

MARTIUS, C. V. O estado do direito entre os autóctones do Brasil. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1982.).

Com base nessa descrição, conclui-se que o naturalista Von Martius

a. Apoiava a independência do Novo Mundo, acreditando que os índios, diferentemente do que fazia a missão europeia, respeitavam a flora e a fauna do país.

b. Discriminava preconceituosamente as populações originárias da América e advogava o extermínio dos índios.

c. Defendia uma posição progressista para o século XIX: a de tornar o indígena cidadão satisfeito e feliz.

d. Procurava impedir o processo de aculturação, ao descrever cientificamente a cultura das populações originárias da América.

e. Desvalorizava os patrimônios étnicos e culturais das sociedades indígenas e reforçava a missão "civilizadora europeia' típica do século XIX.

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Resposta: Resposta E. Carl Friedrich Philipp Von Martius (1797-1868), médico, botânico e antropólogo alemão, foi um dos mais importantes estudiosos europeus que se dedicaram ao estudo da flora e da fauna brasileira. Na alternativa (e), fica claro o etnocentrismo do naturalista, fruto do século XIX. A desvalorização dos patrimônios étnicos e culturais dos povos indígenas é evidente em seu texto, assim como a valorização da "civilização europeia".
Tancredo Professor . 2017
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