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OS POVOS TUPI-GUARANI

Divididos em Tupinambá, Tupiniquim, Caeté, Potiguar, entre muitos outros grupos, os Tupi-Guarani constituiam o maior conjunto de povos na parte da América explorada pelos portugueses: formavam uma população entre 2 e 4 milhões de indivíduos.

O convívio com os conquistadores representou um verdadeiro desastre para esses povos, sobretudo aqueles que habitavam o litoral. Ao final do século XVII, grande parte havia sido dizimada, por meio da guerra, vítimas de doenças ou pela escravidão.

Muitos dos que conseguiram sobreviver aos primeiros contatos migraram para o interior do continente, em área distante do colonizador. Uma parte dos índios incorporou-se à sociedade que então se formava, convivendo com portugueses e africanos escravizados.

 

Cultura complexa

Apesar das inúmeras diferenças existentes entre os povos Tupi-Guarani, é possível encontrar vários pontos em comum entre eles, a começar pela origem. Eles começaram a se formar há cerca de 5 mil anos, na região da atual floresta Amazônica. Há cerca de 2500 anos começaram a migrar. Enquanto alguns grupos percorreram a região litorânea e formaram os Tupi, outros caminharam pelo interior até a parte sul do continente e deram origem aos Guarani. Muitas das características das sociedades Tupi-Guarani estavam, ainda, relacionadas à guerra e à vingança.

As mulheres, entre outras atribuições, eram responsáveis por fazer e decorar as cerâmicas e produzir o cauim (espécie de bebida fermentada feita à base de mandioca). Por meio dessas atividades, elas se integravam aos principais rituais de seu povo.

Parte das cerâmicas servia para receber o corpo dos guerreiros mortos ou dos prisioneiros sacrificados. O cauim era utlizado nos rituais, entre eles os de antropofagia. As decorações das peças de barro, com motivos geométricos, representavam muitas vezes o corpo de um guerreiro.

O líder da aldeia era escolhido entre aqueles que mais se destacavam no campo de batalha. Possuía vários prisioneiros, parentes e esposas, o que contribuía para ter sob seu controle boa produção de alimentos e demais bens importantes para a sobrevivência. assim, estabelecia uma série de relações pessoais, baseadas em presentes e ofertas. A generosidade era marca da cultura Tupi-Guarani.

Os principais líderes das aldeias formavam uma espécie de conselho, responsável pelas decisões, que eram tomadas na forma de consenso. Os mais velhos eram ouvidos em primeiro lugar. Não existia, assim, um poder centralizado.

Cabia aos homens a tarefa de guerrear, caçar, pescar, preparar a terra para o cultivo e fabricar instrumentos. As mulheres, além de cuidar das cerâmicas e da produção do cauim, faziam a coleta de alimentos, plantavam, cozinhavam e cuidavam das crianças.

A base da alimentação variava conforme os recursos de cada região, sendo baseada na caça, na pesca e na coleta. Para os grupos situados próximos aos rios e mares, a pesca tinha grande importância. Em regiões mais distantes, podia-se fazer roçados de mandioca e milho.

Tancredo Professor . 2017
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