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INDÍGENAS E COLONIZADORES

No início da colonização, a Coroa lusitana concedeu aos donatários o direito de escravizar e vender indígenas, já que a maior dificuldade dos colonizadores era a escassez de mão de obra.

Mas, em 1537, o papa Paulo III decretou que os indígenas americanos eram seres humanos que poderiam ter a alma salva pela catequese e pelo batismo. Como resultado, a Igreja proibiu a escravização.

A decisão da Igreja pressionou a Coroa lusitana, que em 1548 permitiu apenas a escravização por meio da guerra justa, isto é, só poderiam ser escravizados os indígenas que usassem de violência contra os colonizadores.

Essa ambiguidade permitia à Coroa equilibrar-se entre os interesses escravistas dos colonizadores e a posição contrária da Igreja, principalmente da Companhia de Jesus. No Brasil, colonizadores e jesuítas travaram uma longa disputa pelo controle da população indígena.

 

A resistência indígena

Os nativos resistiram de formas variadas ao processo de colonização: ora em conflito aberto contra os colonizadores (guerras, ataques a povoações e engenhos), ora por meio de migrações para o interior, ou, ainda, no cotidiano, ao darem significados próprios à cultura europeia.

A ação indígena, contudo, não se limitou a manifestações de resistência aos europeus. Muitos grupos fizeram alianças com os colonizadores a fim de combater seus inimigos tradicionais.

Um desses casos foi a Confederação dos Tamoios. Entre 1554 e 1567, várias nações tupis uniram-se contra a colonização portuguesa e sua prática de escravização indígena no litoral dos atuais estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Por meio dela, os Tupinambá e os Tupiniquim, rivais tradicionais, acompanhados dos Carijó, dos Goitacá e dos Aimoré, entre outras etnias, aliaram-se aos franceses na luta contra os portugueses e seus aliados indígenas: os Guaianá, parte dos Tupiniquim e os Termiminó.

Em 1563, um tratado de paz mediado pelos jesuítas foi decisivo para a vitória lusitana. A pacificação enfraqueceu os confederados, enquanto a colonização portuguesa fortaleceu-se e passou a lançar novas ofensivas contra os Tupinambá. A chegada de reforços para o capitão-mor Estácio de Sá permitiu a expulsão definitiva dos franceses e a dizimação final dos Tupinambá na região.

No Nordeste, a Guerra dos Bárbaros, envolvendo as nações Cariri, Caripu, Icó e Janduí contra os colonizadores, ocorreu entre os anos de 1680 e 1720. Em razão do avanço da colonização e da ocupação das terras indígenas, os conflitos interétnicos intensificaram-se. Alianças entre indígenas e colonizadores eram comuns e significavam permanência no território e vitória sobre rivais tradicionais.

 

A catequização

A Companhia de Jesus, fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola, tinha como objetivos o trabalho missionário na Terra Santa, a evangelização dos ameríndios e a recuperação das almas perdidas na Reforma. Pela ênfase missionária e pelo caráter militar da organização, os jesuítas tiveram importante papel no processo de colonização, contribuindo tanto para a catequização dos indígenas como para a formação cristã dos colonos.

Para viabilizar a catequização dos nativos, criaram uma rede de colégios, aprenderam as línguas nativas, escrevendo gramáticas e dicionários, e, atentos aos costumes indígenas, integravam-se à cultura local e introduziam seus elementos na liturgia católica. Para melhor interagir, usavam roupas, instrumentos e se comunicavam utilizando gestos de pajés.

Tancredo Professor . 2017
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