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DE QUEM É A TERRA?

   Em outubro de 2012, a histórica disputa fundiária entre índios e fazendeiros voltou ao centro de debate nacional. Após receber uma ordem de despejo, um grupo de 170 índios da etnia guarani-kaiowá acampado em uma fazenda em Iguatemi, em Mato Grosso do Sul, divulgou uma carta que dizia o seguinte: "Pedimos ao governo e à justiça federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui".

   O texto, equivocadamente interpretado como uma ameaça de suicídio coletivo, obteve enorme destaque na imprensa. Diante da repercussão, a liminar foi suspensa. Um estudo confirmou, em janeiro de 2013, que uma área de 41,5 mil hectares na fazenda era habitada pelos ancestrais dos guaranis-kaiowás. O resultado é o primeiro passo para o reconhecimento do local como terra indígena.

   A decisão, contudo, está longe de resolver a delicada questão fundiária. Vários outros casos que tramitam na justiça opõem índios, que reclamam ter direito à terra de seus ancestrais, e fazendeiros, que justificam a posse pelos títulos de propriedade.

   Espremidos no interior do país após a ocupação portuguesa, os índios começaram a ser expulsos da região de Mato Grosso do Sul após a Guerra do Paraguai (1864-1870). A expansão do agronegócio nas últimas décadas acentuou ainda mais a dispersão de etnias que habitavam a área. Atualmente, o movimento indígena reivindica do governo a aceleração no processo de demarcação de terras.

Tancredo Professor . 2017
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