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JESUÍTAS

#A ação missionária dos Jesuítas

Nas colônias ibéricas, a ação da Igreja Católica foi exercida principalmente por padres da Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada por Inácio de Loyola em 1534.

A Companhia de Jesus, no contexto da Contrarreforma, atuou para expandir a fé católica pelo mundo e conter o avanço do protestantismo. Em 1553, o Brasil foi alvo das atividades evangelizadoras e pedagógicas dos jesuítas. Bahia e São Vicente foram os primeiros núcleos da ação evangelizadora da Companhia de Jesus.

Na Bahia, os jesuítas chegaram com a comitiva do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa, em 1549. Dirigidos pelo padre Manuel da Nóbrega, eles receberam da Coroa portuguesa o monopólio das atividades de catequização dos indígenas. Em São Vicente, o padre Leonardo Nunes ficou encarregado de construir a primeira escola-seminário, que funcionava como igreja e colégio. O objetivo era formar sacerdotes e instruir os nativos e os colonos.

Mais tarde, outros colégios foram fundados. No Planalto de Piratininga, os jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega fundaram o Colégio de São Paulo (marco inicial da cidade de São Paulo), em 1554, que se tornou um dos principais núcleos de evangelização dos nativos. No Rio de Janeiro, a construção do primeiro colégio jesuíta começou em 1567, pela ação do padre Inácio de Azevedo e Nóbrega.

No século XVII, os jesuítas chegaram ao Ceará, ao Piauí, ao Maranhão e ao Pará. As casas que fundavam convertiam-se em novos colégios, como aconteceu em São Luís (1622), Belém (1626), Olinda (1576) e Recife (1655). No Sul, as ações missionárias foram iniciadas pelos jesuítas espanhóis, que, em 1635, chegaram à aldeia indígena de Caibi, próximo à atual cidade de Porto Alegre.

 

#A catequização dos nativos

Visando agilizar a tarefa de conversão dos nativos, os padres jesuítas criaram, em várias partes da colônia, aldeamentos indígenas conhecidos como missões ou reduções. Nas missões, o trabalho de evangelização era feito por meio de missas, batismos, músicas, teatros e toda uma liturgia católica. Os padres procuravam combater alguns costumes dos nativos, como a poligamia e a antropofagia, iniciando um processo de aculturação das populações indígenas que contribuiu para romper os laços culturais nas tribos e para facilitar a obra colonizadora.

Contudo, mesmo quando pareciam aceitar a fé católica, os indígenas resistiam preservando alguns costumes. A solução encontrada pelos religiosos foi adaptar algumas celebrações, utilizar a língua nativa nas pregações, usar instrumentos musicais indígenas nas aulas de canto e encenações teatrais, traduzir obras religiosas para o Guarani e admitir alguns costumes não prejudiciais ao trabalho missionário, criando um ambiente de trocas culturais.

Nas missões, além de participar das atividades pedagógicas e religiosas, os indígenas também cuidavam das tarefas agrícolas e artesanais, construíam igrejas e outras edificações, criavam animais e produziam instrumentos musicais. Os jesuítas condenavam a escravização dos indígenas e procuravam isolá-los no interior das missões, o que provocou um grande atrito com os colonos.

 

#A expulsão dos jesuítas

Utilizando o trabalho indígena, os jesuítas desenvolveram uma próspera atividade agropecuária nos aldeamentos.

Com o tempo, a Companhia de Jesus acumulou terras, engenhos, cabeças de gado e escravos africanos. Seu poder econômico e prestígio social cresceram tanto que a ordem se transformou em um poder paralelo, ameaçando o poder real.

Durante o governo do marquês de Pombal, a Companhia de Jesus passou a ser acusada de abuso de poder, de monopolizar o trabalho indígena, causando escassez de mão de obra nas lavouras dos colonos, e de desrespeitar o exclusivo comercial metropolitano. As tensões entre a ordem e o governo cresceram e, em 1759, o marquês de Pombal decretou a expulsão dos jesuítas de Portugal e de todas as suas colônias.

 

#SAIBA MAIS

Sete Povos das Missões

No final do século XVII e início do XVIII, no Rio Grande do Sul, jesuítas espanhóis fundaram um grupo de aldeamentos indígenas que ficaram conhecidos como Sete Povos das Missões. Reunindo índios Guarani, eram elas São Francisco de Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço, São João Batista e Santo Ângelo Custódio. As missões se organizavam como uma comunidade relativamente autossuficiente, onde havia, além da igreja, hospital, asilo, escola, plantações, criação de gado e oficinas. O povoado constituiu uma verdadeira cidade e se transformou no modelo missionário desenvolvido pelos jesuítas na América.

 

#OBS: Nos países ibéricos, a Igreja estava subordinada à Coroa e cabia ao Estado prover a subsistência das missões. Em 1564 foi criada a redízima, uma taxa descontada dos impostos cobrados pela Coroa para ser repassada à Companhia de Jesus. Porém, como os recursos não eram suficientes para manter as missões, os jesuítas procuram gerar os próprios recursos utilizando o trabalho indígena.

Tancredo Professor . 2017
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