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ECONOMIA E SOCIEDADE COLONIAL

RAPTO DE FORTUNAS

A economia do Brasil colônia foi sempre voltada para o benefício de Portugal. Inserida no contexto do mercantilismo europeu, ela foi caracterizada pelo pacto colonial, segundo o qual os brasileiros só podiam comercializar produtos com os portugueses, de modo que esses compravam barato, vendiam caro e ainda tinham exclusividade na exportação das mercadorias do Brasil a outras nações.
A grande maioria dos lucros destinava-se à metrópole, especialmente para os cofres da Coroa portuguesa, que cobrava altos impostos sobre a exploração dos produtos coloniais. As principais atividades econômicas realizadas naquele período em nosso território foram a extração do pau-brasil, a produção de açúcar, a mineração e a pecuária.

 

#PAU-BRASIL
A primeira riqueza brasileira percebida por Portugal foi o pau-brasil, madeira então abundante em nosso litoral, usada como matéria-prima para a fabricação de tinturas. A extração era feita pelos índios, que trocavam a mercadoria – numa prática conhecida como escambo – por quinquilharias, como espelhos e colares, fornecidos pelos comerciantes portugueses. Em alguns pontos da costa foram instaladas feitorias para o armazenamento do produto.
A atividade era simples e lucrativa, mas trazia um problema: os mercadores lusitanos vinham ao Brasil, carregavam seus navios e voltavam à Europa, sem se fixar na colônia, o que facilitava a ocorrência de ataques estrangeiros. Ou seja, para garantir a proteção de seus domínios, Portugal precisava povoá-los urgentemente. Havia uma maneira bastante rentável de fazer isso: introduzir uma atividade produtiva na região.

 

#AÇÚCAR
Escolhida a estratégia, definiu-se o produto: o açúcar. A matéria-prima, a cana-de-açúcar, adaptava-se ao clima e ao solo. Portugal já possuía experiência na produção de cana nos Açores e na ilha da Madeira, e, para completar, o açúcar tinha grande aceitação na Europa, o que era uma garantia de mercado consumidor. Entretanto, faltavam aos portugueses capital inicial e uma eficiente infraestrutura de distribuição. Essa questão foi resolvida com uma parceria com os holandeses, que já fretavam o açúcar produzido por Portugal nas ilhas do Atlântico.
O sistema instalado foi o de plantation, cujas características eram:
*Grandes propriedades (latifúndios) monocultores (dedicadas a apenas um produto) – os engenhos.
*Mão de obra escrava (primeiramente indígena; depois negra).
*Produção voltada para o mercado externo.
Os latifúndios monocultores e a escravidão permitiam uma produção vasta a baixo custo – o que levava a altos lucros. O destino era a exportação, uma vez que Portugal não tinha interesse em desenvolver a economia interna. Os poucos lucros que permaneciam no Brasil ficavam nas mãos dos senhores de engenho – os donos dos latifúndios -, provocando grande concentração de renda.
A produção de açúcar foi a principal atividade econômica do Brasil colonial durante os séculos XViI e XVII, sendo ultrapassada no século XVIII pela mineração.

 

#PECUÁRIA
A criação de gado foi a única das principais atividades econômicas do Brasil colonial que era voltada para o mercado interno. Fornecedora de força de tração, alimento e meio de transporte aos engenhos, ela foi inicialmente instalada na Bahia e em Pernambuco, em meados do século XVI. Como no litoral predominavam as lavouras de cana-de-açúcar, o gado foi levado ao interior. As feiras organizadas para o comércio dos animais acabavam se transformando em vilas, o que permitiu a colonização dos sertões brasileiros. Além do Nordeste, a atividade se desenvolveu com força no sul do país, onde foi favorecida pelas vastas pastagens naturais dos pampas.
Os trabalhadores – vaqueiros – eram livres e de origem simples, sendo geralmente índios ou mestiços. Recebiam, além de um pequeno salário, algumas cabeças de gado. Com isso, tinham condições de começar o próprio negócio, o que ajudava a desenvolver a atividade no país. Com o surgimento da mineração, a pecuária teve novo impulso, por causa da necessidade de abastecimento das regiões mineradoras.

 

#MINERAÇÃO
Em 1693, abundantes jazidas de ouro foram descobertas na região hoje ocupada por Minas Gerais. A notícia se espalhou e milhares de pessoas, das mais variadas origens, rumaram para lá em busca de riquezas.
A Coroa portuguesa, a fim de impor uma administração mais rígida e garantir sua parte nos lucros, publicou, em 1702, o Regimento Aurífero, que regulava a extração mineral. O documento criava as intendências das minas – governos quase autônomos que prestavam satisfação a Portugal. Em 1720, a região mineradora, então parte da capitania de São Vicente, foi transformada na nova capitania de Minas Gerais.
Para organizar a atividade, as áreas de ocorrência de metais preciosos foram divididas em lavras e faiscações. As primeiras eram amplas, demandando muito capital e grande quantidade de escravos. As faiscações, menores, eram mais numerosas. Quem se dedicava à extração devia pagar 20% do ouro encontrado à Coroa – o quinto. Em 1725, em razão da sonegação, foram criadas as Casas de Fundição, nas quais o ouro em pó era transformado em barras e tinha o quinto extraído. Só era permitida a exportação do ouro fundido. Dez anos depois, a Coroa criou um novo tributo: a capitação, que incidia sobre o número de escravos usados.
A mineração favoreceu o surgimento de núcleos urbanos e o aumento da população. Também levou a uma integração do mercado interno, pois o Sudeste passou a comprar gado do Sul e escravos do Nordeste. A decadência da atividade se deu por volta de 1800 e esvaziou as zonas de extração.

 

#SOCIEDADE COLONIAL
Diferentes sociedades floresceram no Brasil colonial. Elas compartilhavam certas características como a escravidão, mas apresentavam particularidades, que variavam conforme as atividades econômicas desenvolvidas em épocas e regiões distintas. Os principais exemplos são a sociedade do Nordeste açucareiro, dos séculos XVI e XVII, e a do Sudeste minerador, do século XVIII.


#SOCIEDADE DO AÇÚCAR. Além de escravista, era agrária e estratificada. Agrária porque os principais aspectos da vida econômica e social se davam em torno dos latifúndios – os povoados e as vilas tinham papel secundário. Estratificada porque havia pouca ou nenhuma mobilidade entre as classes.
O grupo mais privilegiado era o dos senhores de engenho, a elite econômica, social e política. Eles eram os donos das terras, das máquinas e da mão de obra – tudo o que representava riqueza e prestígio. O símbolo máximo do poder era a casa-grande, a sede do engenho, onde o senhor vivia com a família e os criados. Por ser pai e autoridade máxima no latifúndio, diz-se que ele comandava uma sociedade patriarcal.
No outro extremo da hierarquia social estavam os escravos, africanos ou indígenas, que eram propriedade de senhor e exerciam todas as atividades de produção. Na época do corte e da moagem da cana, chegavam a trabalhar 18 horas por dia. Os escravos viviam nas senzalas, alojamentos cuja simplicidade se contrapunha à opulência da casa-grande.
Havia, ainda, outras duas classes intermediárias. Alguns  engenhos tinham trabalhadores assalariados que ocupavam cargos como o de feitor-mor, responsável pela administração do engenho; feitor, que vigiava os escravos; alfaiate; pedreiro; etc. Existiam também os comerciantes, que negociavam escravos, animais, carne, trigo e outros produtos. Alguns  conseguiam romper a típica imobilidade da sociedade açucareira, acumulando fortunas e convertendo-se em senhores de engenho.


#SOCIEDADE DO OURO. Formada pela massa migratória atraída pela possibilidade de enriquecer garimpando ouro, a sociedade mineradora era bem diferente da açucareira. Em primeiro lugar, não havia o latifúndio, portanto a população não era agrária, estando organizada em núcleos urbanos.
Além disso, a mobilidade social era muito maior e o trabalho livre, muito mais significativo. Surgiu, pela primeira vez no Brasil, uma classe média, constituída por artesãos, barbeiros, médicos, advogados, tropeiros e soldados, entre outros. No espectro social, eles ficavam acima dos escravos e abaixo dos grandes comerciantes e donos de minas. Esse estrato intermediário da sociedade mineradora é o embrião da atual classe média brasileira.

Tancredo Professor . 2017
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