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IMPERIALISMO, A EXPANSÃO COLONIAL SOBRE A ÁSIA E A ÁFRICA

IMPERIALISMO OU NEOCOLONIALISMO?
Imperialismo é o nome que se dá ao capitalismo na fase na qual o capital financeiro (fusão do capital bancário e industrial monopolista) torna-se hegemônico. Neocolonialismo é o termo usado para designar as relações de dominação político-econômicas impostas pelas potências industriais aos países ou territórios sobre seu controle. Na fase imperialista, são impostas as relações neocoloniais.


COLONIALISMO EUROPEU DO SÉCULO XVI: Naquela época, as potências europeias, principalmente Portugal e Espanha, fundaram suas colônias de exploração no continente americano. Em termos econômicos, o colonialismo desse período desenvolveu-se dentro do contexto do capitalismo comercial e das práticas mercantilistas.


NEOCOLONIALISMO DO SÉCULO XIX: No século XIX surgiu, entre as potências europeias, uma nova corrida em busca de colônias, direcionada basicamente para o continente africano e o asiático. Esse novo colonialismo ou neocolonialismo (também chamado imperialismo) diferenciava-se essencialmente do anterior, porque em termos econômicos foi impulsionado no contexto do capitalismo industrial e financeiro, que gerou, entre as grandes potências europeias, um clima de competição e de disputas por matérias-primas e por mercados consumidores.


O MUNDO É DELES: A política de expansão de poder e dominação de um Estado ou sistema político sobre outros ocorreu muitas vezes na história. No entanto, o termo imperialismo surgiu para designar especificamente a expansão das potências industriais europeias a partir do século XIX.


CAUSAS E CARACTERÍSTICAS: A revolução Industrial criou alguns problemas para as nações europeias. Com uma indústria apta a produzir mais, faltava, agora, mercado consumidor. Além disso, os grandes burgueses buscavam outras regiões onde pudessem investir mais para obter lucros ainda maiores. E também havia a necessidade de achar novas fontes de matérias-primas, como ferro e petróleo. Tudo isso levou os europeus a uma nova expansão colonial. Mas ela teve algumas diferenças importantes em relação à ocorrida no início da Idade Moderna, a começar pelos objetivos, que, nos séculos XV e XVI, eram primordialmente a exploração de metais preciosos e de produtos tropicais. Além disso, agora o sistema econômico vigente não era mais o capitalismo comercial, e, sim, o industrial; por fim, em vez da América, foram exploradas a África e a Ásia. Três modalidades de relações neocoloniais foram estabelecidas nesse período: colônias (territórios dominados por meio da presença militar), protetorados (países governados por elite local tutelada por uma potência industrial) e áreas de influência (países com governo formalmente autônomos, mas submetidos a acordos econômicos desiguais).


PARTILHA DA ÁFRICA: A descoberta de jazidas de diamantes e outras riquezas, como marfim, no território africano precipitou a imediata colonização da região. Os primeiros a conquistar terreno foram os belgas, detentores do monopólio sobre o Congo (atual República Democrática do Congo), desde 1876, e os franceses, que avançaram sobre a Argélia, a Tunísia e o Marrocos. Logo depois vieram os ingleses, que se apoderaram do Egito, do Sudão e do sul do continente. Os conflitos entre britânicos e a população bôer – descendente de holandeses, instalada na África do Sul – deram origem à Guerra dos Bôeres (1899-1902), que acabou com a vitória inglesa. A desavença entre as potências imperialistas crescia, e, para resolver o impasse de quem seria o grande ganhador de centro da África, os países europeus realizaram, em 1884 e 1885, a Conferência de Berlim. No congresso ficou estabelecida uma partilha do território africano. O resultado foi devastador para o continente, que teve suas fronteiras redivididas de acordo com os interesses europeus – o que provocou várias guerras sangrentas entre tribos rivais no decorrer do século XX – e viu sua economia tornar-se completamente dependente da Europa.

 

CONQUISTA DA ÁSIA: As regiões asiáticas mais almejadas pelas potências imperialistas foram a Índia e a China. Na Índia os britânicos já possuíam as bases da colonização estabelecidas desde a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), quando a vitória sobre a arquirrival França lhes garantiu hegemonia na região. Em 1857, os nativos se rebelaram na Guerra dos Sipaios, vencida pelos ingleses. Em 1876, a rainha Vitória foi coroada imperatriz da Índia. A exploração comercial era feita por meio da poderosa Companhia das Índias Orientais, detentora do monopólio da atividade. Na China, a penetração europeia foi dificultada pelo governo forte e centralizado. O caminho usado pelos ingleses para penetrar no país foi a exportação ilegal de ópio – poderoso narcótico extraído da papoula – para solo chinês, onde seu consumo era proibido. As autoridades chinesas reagiram queimando 20 mil caixas do produto em 1839. A tensão levou às Guerras do Ópio. Após três anos de batalhas, os ingleses saíram vitoriosos e estabeleceram o Tratado de Nanquim, no qual o governo chinês se comprometia a entregar Hong Kong à Inglaterra e a abrir cinco portos ao comércio internacional. No fim do século XIX, o enorme território chinês estava dividido em esferas de influência de Inglaterra, Alemanha, Rússia, França, Estados Unidos (EUA) e Japão. Em 1900, os boxers, um grupo nacionalista com apoio popular, sitiou o bairro ocupado pelas delegações estrangeiras em Pequim, dando início à Guerra do Boxers. O confronto findou com a derrota chinesa e com a imposição, pelas potências imperialistas, da política da “porta aberta”, na qual a China tinha de fazer amplas concessões comerciais.


IMPERIALISMO RUSSO: Por ter a economia basicamente agrária até o século XIX, somente após 1870 a Rússia sentiu necessidade de mercados consumidores e de matéria-prima, dedicando-se às conquistas imperialistas. Lançou-se em direção à Crimeia (região próxima ao mar Negro) e à Índia, mas foi barrada pelas potências europeias, principalmente a Inglaterra. A opção foi voltar-se para a região chinesa da Manchúria, rica em minerais. Porém, aí também os russos depararam com um forte concorrente: o Japão.


IMPERIALISMO JAPONÊS: Assim como a Rússia, o Japão foi, até o século XIX, fechado política e economicamente. As mudanças só começaram durante a Era Meiji, no fim do século, quando houve investimentos em indústrias, acabando com a antiga estrutura feudal de produção. Em guerras contra a China, o Japão conquistou a ilha de Formosa (Taiwan) e a Coreia. Mais tarde, o país entrou em choque com a Rússia pela Manchúria, na Guerra Russo-Japonesa. Apoiados por ingleses e norte-americanos, os japoneses saíram vencedores do conflito em 1905 e tornaram-se a maior potência imperialista do Oriente.


IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO: A história de intervenções norte-americanas na América Latina começou em 1846, com a guerra contra o México, em que os EUA anexaram quase metade do território vizinho. Em 1898, na Guerra Hispano-Americana, o país conquistou Porto Rico e, três anos depois, garantiu poder de intervenção sobre a recém-independente Cuba. No Panamá, os EUA apoiaram a independência do país e garantiram para si o direito de construir e controlar o Canal do Panamá, que liga o oceano Atlântico ao Pacífico. Já no século XX, por meio da política do “big stick” (grande porrete), o país consolidou seu poder sobre o Caribe, impondo forte presença militar e domínio econômico na região.


A SEGUNDA ONDA: Essa primeira fase do imperialismo terminou com a I Guerra Mundial. Entre 1914 e 1945, o imperialismo se caracterizou pela rápida expansão dos Estados totalitários, como a Alemanha nazista, a Itália fascista, o Japão e a União Soviética (URSS). Após a II Guerra Mundial e o fim dos processos de descolonização da África e da Ásia, o imperialismo assumiu a forma de hegemonia política e econômica, durante a Guerra Fria.

Tancredo Professor . 2017
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