Início > Conteúdos > Lendo
O Quilombo de Palmares

O interior dos quilombos

A justiça praticada por essas comunidades era muito severa: o adultério, o roubo, a deserção e o homicídio eram punidos com a morte.

Apesar de a vida nos quilombos ser difícil, lá seus habitantes viviam livremente, longe da escravidão que tantos males lhes causara, reavivando as tradições, crenças e costumes africanos. É esse o segredo que explica a resistência dos quilombos durante vários séculos aos inúmeros ataques desfechados contra eles: os quilombos preferiam morrer lutando a voltar à condição de escravos.

 

Palmares: a confederação negra

Palmares, o mais conhecido de todos os quilombos, localizava-se na serra da Barriga, no atual estado de Alagoas. Tratava-se, na verdade, da confederação de uma dezena de quilombos, situados todos na mesma região. Chegou a reunir milhares de habitantes, comandados por Zumbi.

Palmares resistiu durante quase um século a dezenas de expedições repressivas das autoridades coloniais. Dos holandeses aos portugueses, vários governos sucederam-se na então capitania de Pernambuco, durante o século XVII, e a todos eles os quilombolas de Palmares enfrentaram com bravura.

A destruição de Palmares só ocorreu em 1695, graças à colaboração do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho.

 

Palmares: a guerra dos escravos

Na história das revoltas escravas brasileiras, a de Palmares ocupa lugar ímpar. Não foi apenas a primeira, mas, também, a de maior envergadura. No decurso de quase um século os escravos da então capitania de Pernambuco resistiram às investidas das expedições continuamente enviadas por uma das maiores potências coloniais do mundo. Projeta-se como acontecimento dominante da história pernambucana na segunda metade do século XVII e como um dos mais sérios problemas que a administração colonial lusitana teve de enfrentar no Brasil. Pois inúmeras vezes a Coroa admitiu francamente que a extinção de Palmares teve uma impotância comparável à da expulsão dos holandese. Comandadas por alguns dos melhores chefes militares da época, mais de trinta expedições - provavelmente o número passou de quarenta - marcharam contra Palmares, no mais prolongado e árduo esforço bélico da história colonial, à parte o da luta contra os holandeses. Na história das Américas, só perde em importância para a de Haiti. Um historiador como Oliveira Martins, que certamente não pecava por simpatia para os escravos, viu em Palmares uma Ilíada e batizou Macaco, a capital palmarina, de "Tróia Negra". Ainda hoje, à distância de quase três séculos, seu acento libertário e seu socialismo infuso  suscitam emoção e entusiasmo.

Freitas, D. Palmares: a guerra dos escravos, p. 12-3.

 

Contrato para a destruição de Palmares

Firmado em dezembro de 1691 pelo governador de Pernambuco, marquês de Montebelo, um contrato especificava as condições em que os paulistas do "coronel" Domingos Jorge Velho se encarregariam da destruição dos Palmares. Para o início da campanha, o governador fornecia quantidades determinadas de chumbo, pólvora, mantimentos, armas e outros apetrechos. Os negros capturados, exceto os de sete a dez anos, seriam vendidos em Recife e despachados para o Rio de Janeiro e Buenos Aires. Como paga por sua proeza, os paulistas receberiam sesmarias na área do quilombo e um quinto da riqueza tomada aos negros - além de uma gratificação por escravo devolvido ao seu senhor. Nem o "coronel" nem o governador poderiam perdoar os quilombolas.

Os "filhos do mato", isto é, os negros nascidos no próprio quilombo, pertenceriam a Jorge Velho. Este estava autorizado a prender qualquer pessoa que ajudasse os quilombolas, por mais importante que fosse. Os crimes que os paulistas tivessem cometido seriam perdoados pelo governador e pelo ouvidor-geral. Jorge Velho comprometia-se, no entanto, a não dar asilo a criminosos locais. Finalmente, o "coronel" e seus homens desistiriam de toda recompensa se deixassem de cumprir qualquer cláusula do contrato.

Saga: a grande história do Brasil, v. 2, p. 167-9.

 

Conclusão

O mais importante entre todos os quilombos foi o de Palmares, que resistiu por quase um século às várias expedições armadas enviadas por senhores de engenho e governadores que, em 1668, firmaram uma "união perpétua contra Palmares". O número de seus habitantes cresceu sem parar: eram seis mil, em 1640, e chegaram a vinte ou trinta mil, em 1671. Macaco, a capital do quilombo, chegou a ter 1,5 mil casas. Seu principal chefe foi Zumbi que, tendo fugido ao cerco de Domingos Jorge Velho, em 1694, foi emboscado no ano seguinte e combateu até morrer, no dia 20 de novembro. Hoje, a data é comemorada como o dia da consciência negra.

 

 

Tancredo Professor . 2019
Anuncie neste site
Twitter