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A REVOLUÇÃO FRANCESA

A BURGUESIA E A REVOLUÇÃO FRANCESA

No fim do século XVIII, a estrutura social da França permanecia de essência aristocrática: conservava o caráter de sua origem, da época em que a terra constituía a única fonte de riqueza social e conferia, portanto, aos seus possuidores o poder sobre os que a cultivavam. (...) Os direitos senhoriais sempre sublinhavam a sujeição dos camponeses.

O renascimento do comércio e o desenvolvimento da produção artesanal tinham, não obstante, criado desde os séculos XI e XII uma nova forma de riqueza imobiliária e, através dela, dado nascimento a uma nova classe, a burguesia, cuja admissão aos Estados Gerais, desde o século XIV, lhe consagrava a importância.

No quadro da sociedade feudal, ela dera prosseguimento ao seu impulso ao próprio ritmo do desenvolvimento do capitalismo, estimulado pelos grandes descobrimentos dos séculos XV e XVI e pela exploração dos mundos coloniais, bem como pelas operações financeiras de uma monarquia sempre carente de dinheiro.

No século XVIII a burguesia estava à testa das finanças, do comércio, da indústria; fornecia à monarquia não só os quadros administrativos, como também os recursos necessários à marcha do Estado.

A aristocracia, cujo papel não tinha cessado de diminuir, permanecia ainda na primeira escala da hierarquia social: porém se esclerosa em casta, no momento mesmo em que a burguesia aumentava em número, em poder econômico, também em cultura e em consciência. O progresso das luzes solapava os fundamentos ideológicos da ordem estabelecida, ao mesmo tempo que se afirmava a consciência de classe da burguesia. Sua boa consciência: classe em ascensão, acreditando no progresso, tinha convicção de representar o interesse geral e de assumir o encargo da nação; classe progressiva, exercia uma triunfante atração sobre as massas populares como sobre os setores dissidentes da aristocracia. Contudo, a ambição burguesa, apoiada pela realidade social e econômica, se chocava com o espírito aristocrático das leis e das instituições. (...)

Do mesmo modo que a igualdade com a aristocracia, era a liberdade que a burguesia reclamava; a liberdade política certamente, contudo mais ainda a liberdade econômica, a do empreendimento e do lucro. O capitalismo exigia a liberdade porque necessitava dela para assegurar o seu impulso, a liberdade sob todas as formas: liberdade da pessoa, condição de assalariado - liberdade dos bens, condição de sua mobilidade -, liberdade do espírito, condição da pesquisa e das descobertas científicas e técnicas. (...)

Tal aspecto, porém, não explica todos os caracteres da Revolução Francesa. As razões de ela ter constituído o episódio mais explosivo, mesmo por sua violência, das lutas de classes, que levaram ao poder da burguesia, devem ser procuradas nos traços específicos da sociedade francesa do Antigo Regime.

SOBOUL, Albert. A Revolução Francesa. Citado por: SANTOS, S. K. História Contemporânea. São Paulo, Unitas, p. 13-14.

 

Tancredo Professor . 2017
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