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ENCICLOPÉDIA

A AVENTURA DO CONHECIMENTO

 

Antes do século XVIII, algumas tentativas de elaboração de enciclopédias já haviam sido realizadas. Contudo, o fato de tratar-se sempre da iniciativa de autores isolados inviabilizava a criação de obras efetivamente universais, que reunissem a maior parte do conhecimento ocidental.

A Enciclopédia do século XVIII foi a primeira a ser concebida como obra coletiva. A expectativa de seus organizadores, Denis Diderot e Jean d'Alembert, era que ela fosse uma obra criada por uma sociedade de sábios, responsáveis pelo rigor e profundidade dos verbetes, cada um deles trabalhando em sua área de conhecimento. O sentido geral da obra, na concepção de seus organizadores, era realizar concretamente o amplo projeto do movimento iluminista, ou seja, abordar a realidade da maneira mais ampla possível através de uma perspectiva racionalista e de uma fé entusiasmada no progresso da humanidade, além de estabelecer uma condenação da superstição, do fanatismo e do preconceito.

Com base no conteúdo da Enciclopédia, muitos pensadores encontraram a inspiração para oferecer uma contribuição efetiva à reformulação do saber em diferentes áreas do conhecimento. O ponto de partida e eixo central da obra era o questionamento de um saber constituído sempre com base na tradição ou na autoridade do pensamento religioso que então predominava.

A obra completa foi originalmente editada em 17 volumes e consumiu 21 anos de árduo trabalho para os organizadores e para um grande grupo de colaboradores. Entre eles havia nomes como os pensadores iluministas consagrados, como Rousseau e Montesquieu, além de grande número de especialistas nas áreas da economia, do direito, da matemática, da medicina, da música, e trabalhadores de diferentes especialidades, encarregados de informar sobre as mais recentes técnicas, materiais, máquinas, artes e ofícios.

Logo que foi editado o segundo volume da obra, em 1752, começaram os problemas com a ordem estabelecida. Em fevereiro desse ano foi expedido um decreto de suspensão da publicação, acusada de conter máximas tendentes a destruir a autoridade real, a estabelecer o espírito de independência e de revolta e, sob termos obscuros e equívocos, a revelar os fundamentos do erro, da corrupção dos costumes, da irreligião e da impiedade.

Independentemente da firmeza da condenação, o projeto já havia angariado simpatizantes suficientes para garantir sua continuidade.

Com relação ao público leitor, como se tratava de uma obra de grande enverdadura, sua publicação não podia ser realizada sem algumas garantias financeiras. Já em 1750, antes da edição do primeiro volume, André le Breton, um dos quatro editores da obra, havia recebido mais de mil subscrições, com adiantamento financeiro, de pessoas que se interessavam pela publicação. Esse número chegaria a 2 mil antes da publicação do segundo volume, e, a partir do quarto volume, a tiragem já ultrapassava os 4 mil exemplares. Essa tiragem era maior que a dos jornais diários de maior circulação em Paris naqueles anos. Mas esses números, tomados isoladamente, não representam toda a importância e repercussão que a obra teve e teria nos anos seguintes à sua conclusão.

 

Tancredo Professor . 2017
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